SUPREMO CONCLAVE DO BRASIL PARA O RITO BRASILEIRO

CINQUENTENÁRIO DA IMPLANTAÇÃO VITORIOSA DO SUPREMO CONCLAVE DO BRASIL

A REIMPLANTAÇÃO DO RITO BRASILEIRO

Autoria: Superior Conselho de Cultura do SCB


Nesta magnâmine data, 19 DE MARÇO, comemoramos o Cinquentenário da REIMPLANTAÇÃO VITORIOSA DO RITO BRASILEIRO, e da FUNDAÇÃO DO SUPREMO CONCLAVE DO BRASIL, ocorrida no ano 1968, da E.’. V.’., pelo Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil, o Sob.’. Ir.’. ÁLVARO PALMEIRA, o idealizador da Doutrina humanística do Rito.

O Rito Brasileiro apesar de ser oficialmente adotado pelo Grande Oriente do Brasil, desde a sua Fundação, em 23 de dezembro de 1914, consequentemente um Rito legal, legítimo e regular, não conseguia se consolidar, entre outros motivos, pela ausência de uma Oficina Chefe, pela inexistência de Rituais dos Graus Simbólicos e Filosóficos, bem como, de Maçons que realmente à ele se dedicassem.

Em 1940, o Grão-Mestre Geral JOAQUIM RODRIGUES NEVES, motivado pelos Irmãos ÁLVARO PALMEIRA e OCTAVIANO BASTOS, auxilia na Implantação do Rito Brasileiro, primeiramente, contribuindo para aprovação de um anteprojeto de Constituição do Rito, depois, com a expedição do ATO Nº 1617, de 3 de Agosto de 1940, que incentivou a organização de uma Oficina Chefe, o CONCLAVE DOS SERVIDORES DA ORDEM E DA PÁTRIA, instalado em 19 de abril de 1941, e seu primeiro presidente eleito, denominado de Principal, foi o Ir.’. OCTAVIANO DE MENEZES BASTOS.

Em 1941, são apresentados os Rituais dos Graus 1 e 2, adotados pelo Rito Brasileiro, que apesar de terem sido acusados de plagiar o Rito de York, especialmente por causa das semelhanças do Cobridor, ao consultarmos esses Rituais publicados à época, constatamos ao contrário, principalmente na ABERTURA e no ENCERRAMENTO das Sessões Ritualísticas, que foram elaboradas pelo Ir.’. OCTAVIANO DE MENEZES BASTOS,  de que elas não foram compiladas de nenhum Rito, e deram personalidade própria ao Rito Brasileiro, sendo adotadas até os dias atuais, com pequenas modificações.

Contudo, com a suspenção dos direitos maçônicos de OCTAVIANO BASTOS, ÁLVARO PALMEIRA, ALEXANDRE BRASIL DE ARAUJO e DILERMANDO DE ASSIS, em 1944, próceres do Rito, por sérias desavenças com o Grão Mestre Geral, culminou com a criação por esses Irmãos de outras potências Maçônicas, o que foi decisivo para o adormecimento do Conclave. O inusitado foi que essas novas Potencias Simbólicas não tenham também adotado o Rito Brasileiro. O Livro de Presenças às Sessões do Conclave atestam que a ultima reunião ocorreu em 1947.

O preâmbulo acima é de importância para entender a expedição do DECRETO 2080, de 19 de Março de 1968, pelo Grão Mestre Geral  ALVARO PALMEIRA, considerado a certidão de Renascimento do Rito Brasileiro, que ao ser indagado sobre o que o motivou, disse apenas “que aguardara o momento oportuno”, contudo, o Ir.’.  JOSÉ COELHO DE SOUZA, Grão Mestre Honorário do Grande Oriente do Rio de Janeiro, cita que Palmeira dando por encerrada suas aspirações  para assumir o cargo de Soberano Grande Comendador, no REAA, declarou em uma Prancha publicada, em outubro de 1967: “...Não me interessa mais o assunto do superado Escocismo: vou implantar de maneira definitiva o Rito Brasileiro, de 33 Graus, fundado há meio século e que será o Rito Escocês Retificado”.

Esse Decreto constituiu-se numa verdadeira obra prima doutrinário-filosófica, pois para Palmeira, “a reimplantação do Rito Brasileiro atende uma necessidade da Ordem Universal, possibilitando integrar na Maçonaria Contemplativa à Maçonaria Militante, sem que ela perca seu carater principal, intrínseco e característico de Instituição Iniciática de formação moral e filosófica”.

Asssim, Palmeira idealizou que “a Maçonaria deve estar presente ao estudo dos problemas da civilização contemporânea e neles intervir superlativamente, para que a humanidade possa caminhar sobre o suporte da Fraternidade, à um mundo de Justiça, Liberdade e Paz, tendo em vista que um dos fins do Rito Brasileiro é a formação da cultura político-social dos Obreiros, paralela à indispensável cultura doutrinária maçônica para que os Maçons possam sentir, captar e dirigir o espírito de cada século”.

Dessa forma, para ele, influenciado pelo Maçom português, MIGUEL ANTONIO DIAS, após ter lido a sua obra BIBLIOTECA MAÇÔNICA, edição de 1864, tornou-se premente a necesidade de se conciliar a Tradição, nos Graus Simbólicos, com a Evolução, nos Altos Graus, porém, “Tradição não significa abstenção, nem exige imobilismo, mas diante do contexto vivenciado nos tempos atuais, mais do que nunca se faz necessário desenvolver um humanismo maçônico essencialmente dinâmico”, pois, como afirmou, em 1966, o Gão-Mestre  ALEXANDRE CHAVALIER, do Grande Oriente de França, que “o Maçom vive com seu século, constrói para o seu século e se ele não perder jamais de vista os Principios Fundamentais Maçônicos, que são a razão de ser da Ordem, ele sabe contudo que a aplicação desses princípios à realidade  varia com o contexto histórico da época, e que novos tempos exigem atidudes novas”.

Contudo não podemos esquecer que foram exclusivamente as atividades cívicas de alto significado político-nacional, desde a Independência, em 1822, até hoje, que deram o brilho, a honra e a riqueza do Grande Oriente do Brasil, com o aplauso da Nação soberana, e para Palmeira, “essas magnas atividades só cabem, com autenticidade, num Rito, que como o Brasileiro, impõem a prática do Civismo, em cada Pátria, para uma crescente dignificação da vida pública e social”.

Palmeira inflama o nosso espírito cívico ao dizer que “esse caráter construtivo do Rito Brasileiro absolutamente não excede aos parâmetros da Maçonaria, porque se, em verdade, a Maçonaria é supranacional, ela não é, porém, desnacionalizante ou em outras palavras: se a Maçonaria não tem Pátria os Maçons a têm”.

Nos considerandos do Decreto, ele ainda ressalta que o Rito Brasileiro veio para conviver fraternalmente com todos os Ritos regulares, sem o intuito de tomar o lugar de nenhum deles, pois essa multiplicidade de Ritos preenche lacunas, aguça nosso conhecimento, e enleva a cultura maçônica, atendendo o desejo ávido de inúmeros maçons de conhecerem outros Ritos, suas doutrinas e práticas, sem a necessidade de deixar de cultuar o seu Rito de origem.

Finalmente Palmeira, demonstrando seu espírito visionário, e atual, ele nos alerta que  “a Humanidade atravessa uma fase de mudança de civilização e o futuro  invade violentamente o presente”, a exemplo da importância das redes sociais, na comunicação, bem como, da globalização, que nos conecta on-line com os acontecimentos, à nivel local e global, e com isso, prossegue, “a Maçonaria  não pode continuar insensível, ou melhor, estranha ao vertiginoso desafio da vida contemporânea, como força esgotada, - ou defrontá-lo fortuitamente ao saber dos acontecimentos”.

Em consequência do que foi anteriormente exposto, Palmeira expede o Decreto nº 2080, de 19 de março de 1968, criando uma comissão Especial, composta de 15 Irmãos, com relevantes e notórios serviços à Ordem, com poderes para rever a Contituição do Rito Brasileiro de 1940,  de modo a “adequa-lo às exigências maçônicas de Regularidade Internacional, moldá-lo para se tornar um Rito de âmbito universal, separar, o simbolismo dos Altos Graus e, torná-lo um real veículo de renovação da Ordem, conciliando a Tradição com a Evolução”.

Destacamos nesta comissão, entre outras, os Irmãos Benjamim Sodré, Erasmo Martins Pedro, Cândido Ferreira de Almeida, Oscar Argolo,  Eugenio Macedo Matoso, Adhemar Flores e Humberto Chaves.

Álvaro Palmeira, por ser remanescente do adormecido Conclave, de 1940, e a reforma da Constituição por envolver matéria pertinente ao Filosofismo, com implicações no Simbolismo, assumiu as funções de assessor da referida comissão.

O Decreto promulgado foi pleno de sucesso em seus objetivos, pois, no simbolismo, inúmeras Lojas Simbólicas foram fundadas e outras filiadas, e os rituais simbólicos, tão importantes para a prática do Rito, criados pelo Supremo Conclave do Brasil foram adotados pelo Grande Oriente do Brasil; nos Graus Filosóficos, a Fundação do Supremo Conclave gerindo os 30 Altos Graus, agora, com os respectivos Rituais implantados, possibilitou a complementação dos estudos da doutrina do Rito, iniciada no Grau de Aprendiz, culminando no Sumo Grau 33.

Assim, seguindo a cronologia dos acontecimentos, em 25 de abril de 1968, em Sessão Especial, foi aprovada a nova Constituição do Supremo Conclave, publicada em 1º de junho de 1968, nesta data também ocorreu a fundação da primeira Loja Simbólica do Rito Brasileiro, na fase de sua Reimplantação, a “FRATERNIDADE E CIVISMO Nº 1697”, tornando-se a Loja Maçônica Primaz do Rito Brasileiro.

O Supremo Conclave do Brasil, melhor, Palmeira, o seu Grande Instrutor, já tinha elaborado os Rituais dos 3 Graus Simbolicos, adotados em 03 de maio de 1968, pelo Grande Oriente do Brasil, cujas Potências formalizaram as suas relações, com a assinatura do Tratado de Amizade e Aliança Maçônica firmado, em 10 de junho de 1968 e ratificado pela Sob.’. Assembleia Federal Legislativa, em 27 de junho do mesmo ano, bem como, os dos Graus Filosóficos, sendo inicialmente considerados seus Graus Iniciáticos, de acordo com a Constituição do Rito, de 1968: o 4 (Mestre da Discrição); o 9 (Mestre da Justiça);  o 14 (Mestre da Perseverança); o 18 (Cavaleiro Rosa-Cruz); o 22 (Missionário da Economia); 26 (Missionário da Paz); 30 (Missionário da Filosofia); o 31 (Guardião do Bem Público); o 32 (Guardião do Civismo); e o sumo Grau 33 (Servidor da Ordem e da Pátria).

Decorrido 50 Anos, podemos atestar que o Rito Brasileiro se consolidou e foi aceito em todo território nacional graças ao incansável trabalho do seu atual Grande Primaz, o Soberano Irmão NEI INOCENCIO DOS SANTOS 33º.

Na história do Rito, ALVARO PALMEIRA será considerado o seu eterno GRANDE INSTRUTOR, bem como, também reconhecido como seu GRANDE REIMPLANTADOR; e NEI INOCENCIO DOS SANTOS, atual Primaz, será sempre relembrado como seu GRANDE PROPAGADOR.

Hoje o Rito Brasileiro está presente, com 411 (Quatrocentas e onze) Lojas Simbólicas no Grande Oriente do Brasil, 02 (Duas) Lojas Simbólicas na Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro e 02 (Duas) Lojas Simbólicas na Gran Logia Legal del Paraguai; nos Altos Graus, desenvolve seus trabalhos nos 69 (Sessenta e nove) Ilustres e Sublimes Capitulos, 38 (Trinta e oito) Poderosos Grandes Conselhos de Kadosch Filosófico e 16 (Dezesseis) Colendos Altos Colégios. Ainda em 15 (Grandes Oficinas) e 01 (Uma) Loja Complementar, presentes, praticamente, em todos os Estados Brasileiros.

Contudo, ao encerrarmos  nossa fala uma pergunta se faz premente: Qual o seu rumo? O seu futuro?

E ela pode ser respondida com uma citação de SAINT ÈXUPÉRY: “O que importa é partir, não ter chegado. A resposta não é a chegada: é o próprio caminho”

 

Área Administrador

Área destinada somente ao administrador do sitema

Visualizações de Conteúdo : 802443